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CAPITAL SOCIAL E MUDANÇA DE VALORES PARA ENFRENTAMENTO DA VULNERABILIDADE JUVENIL NA ÓTICA DOS EGRESSOS DAS PENITENCIÁRIAS DO INTERIOR DO PARANÁ

Rosana Katia Nazzari - Dione Teresinha Kniphoff - Thais Damaris da Rocha Thomazini


 



 


RESUMO: 

o aumento da violência cometida contra e entre os jovens levou a reações sociais,

colocando o foco do problema na juventude diante das conseqüências das intensas

mudanças da vida moderna. Assim, busca-se interpretar os dados quantitativos da

investigação junto aos egressos das penitenciárias do interior do Paraná, por ser esta

população a que povoa os cárceres brasileiros. Notadamente, entender os valores, as

motivações e as necessidades destes pode contribuir para fomentar políticas públicas de

enfrentamento da violência, da drogatização e reduzir o medo social, fatores que
dificultam a colaboração entre os agentes envolvidos e formam obstáculos para a boa

PALAVRAS CHAVE:políticas públicas; interiorização da violência; criminalidade;egressos
 
Sem causa, nem atores específicos está no espaço e no tempo, a pulverização e

banalização da vida em detrimento dos ditames do mercado real ou imaginário. A

contradição imposta pela exclusão, miséria e mudanças de valores advinda da

incorporação das novas tecnológicas oportuniza o aumento da violência, do uso

eficazes para superação dos desafios que afetam os jovens brasileiros. Sabe-se que o

deslocamento da esfera pública para a privada enfraqueceu de forma substancial as

redes de solidariedade e os índices de confiança social e institucional. Este desgaste nas

esferas políticas está somado aos desajustes no mercado de trabalho que coadunam com

a ideologia da cidadania codificada ou de consumo.

No Brasil, dissemina-se a privatização da violência, com a ampliação das

empresas de segurança, grupos, galeras, redes de organizações criminosas,

principalmente envolvidas com ilícitos, tais como, o tráfico de drogas e o contrabando,

além da truculência da polícia oficial e seu desvio de função em milícias coligadas ao

tráfico. Entre tentativas, às vezes limitadas, de compreender o comportamento violento

da juventude, particularmente quanto ao seu afastamento das redes sociais tradicionais,

e de ir além da perspectiva do senso comum, se inscreve este estudo.

indevido de drogas e, principalmente a ausência de redes sociais e institucionais
O cenário de violência e criminalidade crescentes nas grandes cidades

brasileiras, passa apresentar outra geográfica, e se expande para os municípios do

interior. Assim, os temas sobre juventude, políticas públicas, vulnerabilidade e

interiorização da violência são urgentes na pauta das pesquisas interdisciplinares das

ciências humanas e sociais.

Segundo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2009, p. 3) São Paulo e Rio de

Janeiro não são os lugares mais violentos para os jovens brasileiros, em pesquisa que

envolveu os 266 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, estas aparecem

em 192º lugar e 64º lugar respectivamente. A violência revelada por meio do Índice de

Vulnerabilidade Juvenil

IJC (UNESCO, 2010) diagnosticou o grau de exposição de

jovens de 12 a 29 anos

. “O grau de exposição dessa faixa etária à violência é

considerado muito alto em 10 cidades: Itabuna (BA), Marabá (PA), Foz do Iguaçu (PR),

Camaçari (BA), Governador Valadares (MG), Cabo de Santo Agostinho (PE), Jaboatão

dos Guararapes (PE), Teixeira de Freitas (BA), Linhares (ES) e Serra (ES). Outros 33

municípios tiveram o IJV considerado alto.

O índice de vulnerabilidade juvenil envolve dados socioeconômicos

(homicídios, escolaridade, acesso ao mercado de trabalho, renda e moradia, entre

outros). Assim, a violência não é só crime, engloba fatores tais como: ausência de

escola, pobreza, desigualdade, acidente de trânsito. Destaca-se, porém que a maioria

destes jovens tem entre 19 a 24 anos, são homens e negros

Nesse contexto, o presente estudo pretende contribuir para ampliar o campo de

estudos sobre os principais problemas que atingem a população infanto-juvenil, assim,

procura verificar as motivações que levam muitos jovens a violência e criminalidade no

Brasil. Para tal, busca-se entender as motivações que levam os jovens a violência como

forma de relacionamento social, nas repostas das entrevistas realizadas com egressos

das penitenciárias do interior. Sabe-se que 72% dos presos têm idade entre 18 a 29 anos,

em plena idade. Estes fatores mostram uma contradição das políticas públicas que

preferem investir em penitenciárias sem infra-instrutura para reinserção social do que

em tratamentos de saúde mental para jovens com dependência química e escolas de

qualidade que promovam a entrada no mercado de trabalho, além de outros fatores

contraditórios.

Conforme pesquisa do CONAPEF (2010, p. 2), sobre o futuro do sistema

prisional destacou-se que na América do Sul

tem-se cerca de 750 mil presos, destes,

430 mil estão no Brasil, gerando um custo mensal de 567 milhões de reais. Cada preso

custa mais de 1.300 reais mensais

.” Por outro lado, observa-se a defasagem em termos

de quantidade de policiais federais.

Para uma fronteira continental como a do Brasil,

temos apenas 8.600 delegados e agentes quando o mínimo ideal deveria ser de 17 mil,

ou seja, praticamente o dobro

.

Além disso, o Brasil é o terceiro país em número de presos no mundo, o

Ministério da Justiça

MJ (2010) coloca que até junho a população carcerária está entre

a que mais cresce no mundo, registrava-se 494.237 detentos, 44% provisoriamente

aguardando julgamento, o país fica atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Para

UNDP -

United Nations Development Programme (2010), a taxa de presos por 100 mil

habitantes subiu 13,3%, comparando com um crescimento populacional de 0,98% em

2009 (IBGE, 2010). Mesmo com a ampliação do sistema carcerário em todo país, a falta

de vagas se aproxima de 200 mil.

Além do número excessivo de pessoas dentro das

penitenciárias brasileiras, segundo o (DEPEN, 2010), o país oficialmente apresenta um

déficit de vagas de 194.650.

Neste contexto contraditório imposto pela pobreza e pela exclusão em conjunto

com a expansão do capitalismo para as cidades do interior do Brasil, advindos de um

processo de globalização e ampliação das novas tecnologias, observa-se o aumento da

vulnerabilidade social causada pela violência nas cidades médias e pequenas nas várias

regiões do País, a reboque observa-se também, a ausência de redes sociais e

institucionais eficazes para promover políticas sociais e públicas apropriadas e

conectadas entre as diversas áreas de atuação do governo nas várias esferas decisórias.

Neste sentido, deve-se observar que a interiorização da violência vem

conjuntamente com déficit de segurança na fronteira do interior do país, que serve de

corredor para o narcotráfico, contrabando e armas, e apresenta-se como fator influente

do fortalecimento de redes mafiosas, que em conjunto com gestores públicos corruptos

cooptam um exército de infanto-juvenis e demais categorias vulneráveis para a

marginalidade e ainda mais exclusão social nas cidades da fronteira do Iguaçu.

Sabe-se que, os jovens ocupam lugar de destaque no mercado capitalista, por

serem consumidores em potencial, no entanto os índices de desemprego são maiores

entre eles, por sua vez, recebem relevo nos meios de comunicação, notadamente, em

noticiários policiais de forma estereotipada, fatores que contribuem para uma pretensa

condição juvenil.

Para aprofundamento dessa temática é fundamental observar as interlocuções

das dimensões socioeconômicas, culturais e psicobiologias na construção das redes que

fomentem a diminuição da vulnerabilidade e violência relacionada aos infanto-juvenis.

Diante disto, o estudo pretende verificar as motivações que levam os jovens a

violência e criminalidade no Brasil, notadamente na cidade de Cascavel, situada no

Oeste do Paraná, região próxima a fronteira com o Paraguai e Argentina. Além disso,

pretende-se entender a dificuldade de se empreender políticas públicas de enfrentamento

a interiorização da violência e da criminalidade entre os jovens brasileiros na ótica dos

egressos do sistema carcerário em 2011.

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