Sem causa, nem atores específicos está no espaço e no tempo, a pulverização e
banalização da vida em detrimento dos ditames do mercado real ou imaginário. A
contradição imposta pela exclusão, miséria e mudanças de valores advinda da
incorporação das novas tecnológicas oportuniza o aumento da violência, do uso
eficazes para superação dos desafios que afetam os jovens brasileiros. Sabe-se que o
deslocamento da esfera pública para a privada enfraqueceu de forma substancial as
redes de solidariedade e os índices de confiança social e institucional. Este desgaste nas
esferas políticas está somado aos desajustes no mercado de trabalho que coadunam com
a ideologia da cidadania codificada ou de consumo.
No Brasil, dissemina-se a privatização da violência, com a ampliação das
empresas de segurança, grupos, galeras, redes de organizações criminosas,
principalmente envolvidas com ilícitos, tais como, o tráfico de drogas e o contrabando,
além da truculência da polícia oficial e seu desvio de função em milícias coligadas ao
tráfico. Entre tentativas, às vezes limitadas, de compreender o comportamento violento
da juventude, particularmente quanto ao seu afastamento das redes sociais tradicionais,
e de ir além da perspectiva do senso comum, se inscreve este estudo.
indevido de drogas e, principalmente a ausência de redes sociais e institucionais
O cenário de violência e criminalidade crescentes nas grandes cidades
brasileiras, passa apresentar outra geográfica, e se expande para os municípios do
interior. Assim, os temas sobre juventude, políticas públicas, vulnerabilidade e
interiorização da violência são urgentes na pauta das pesquisas interdisciplinares das
ciências humanas e sociais.
Segundo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2009, p. 3) São Paulo e Rio de
Janeiro não são os lugares mais violentos para os jovens brasileiros, em pesquisa que
envolveu os 266 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, estas aparecem
em 192º lugar e 64º lugar respectivamente. A violência revelada por meio do Índice de
Vulnerabilidade Juvenil
– IJC (UNESCO, 2010) diagnosticou o grau de exposição de
jovens de 12 a 29 anos
. “O grau de exposição dessa faixa etária à violência é
considerado muito alto em 10 cidades: Itabuna (BA), Marabá (PA), Foz do Iguaçu (PR),
Camaçari (BA), Governador Valadares (MG), Cabo de Santo Agostinho (PE), Jaboatão
dos Guararapes (PE), Teixeira de Freitas (BA), Linhares (ES) e Serra (ES). Outros 33
municípios tiveram o IJV considerado alto.
O índice de vulnerabilidade juvenil envolve dados socioeconômicos
(homicídios, escolaridade, acesso ao mercado de trabalho, renda e moradia, entre
outros). Assim, a violência não é só crime, engloba fatores tais como: ausência de
escola, pobreza, desigualdade, acidente de trânsito. Destaca-se, porém que a maioria
destes jovens tem entre 19 a 24 anos, são homens e negros
Nesse contexto, o presente estudo pretende contribuir para ampliar o campo de
estudos sobre os principais problemas que atingem a população infanto-juvenil, assim,
procura verificar as motivações que levam muitos jovens a violência e criminalidade no
Brasil. Para tal, busca-se entender as motivações que levam os jovens a violência como
forma de relacionamento social, nas repostas das entrevistas realizadas com egressos
das penitenciárias do interior. Sabe-se que 72% dos presos têm idade entre 18 a 29 anos,
em plena idade. Estes fatores mostram uma contradição das políticas públicas que
preferem investir em penitenciárias sem infra-instrutura para reinserção social do que
em tratamentos de saúde mental para jovens com dependência química e escolas de
qualidade que promovam a entrada no mercado de trabalho, além de outros fatores
contraditórios.
Conforme pesquisa do CONAPEF (2010, p. 2), sobre o futuro do sistema
prisional destacou-se que na América do Sul
“tem-se cerca de 750 mil presos, destes,
430 mil estão no Brasil, gerando um custo mensal de 567 milhões de reais. Cada preso
custa mais de 1.300 reais mensais
.” Por outro lado, observa-se a defasagem em termos
de quantidade de policiais federais.
“Para uma fronteira continental como a do Brasil,
temos apenas 8.600 delegados e agentes quando o mínimo ideal deveria ser de 17 mil,
ou seja, praticamente o dobro
”.
Além disso, o Brasil é o terceiro país em número de presos no mundo, o
Ministério da Justiça
– MJ (2010) coloca que até junho a população carcerária está entre
a que mais cresce no mundo, registrava-se 494.237 detentos, 44% provisoriamente
aguardando julgamento, o país fica atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Para
UNDP -
United Nations Development Programme (2010), a taxa de presos por 100 mil
habitantes subiu 13,3%, comparando com um crescimento populacional de 0,98% em
2009 (IBGE, 2010). Mesmo com a ampliação do sistema carcerário em todo país, a falta
de vagas se aproxima de 200 mil.
Além do número excessivo de pessoas dentro das
penitenciárias brasileiras, segundo o (DEPEN, 2010), o país oficialmente apresenta um
déficit de vagas de 194.650.
Neste contexto contraditório imposto pela pobreza e pela exclusão em conjunto
com a expansão do capitalismo para as cidades do interior do Brasil, advindos de um
processo de globalização e ampliação das novas tecnologias, observa-se o aumento da
vulnerabilidade social causada pela violência nas cidades médias e pequenas nas várias
regiões do País, a reboque observa-se também, a ausência de redes sociais e
institucionais eficazes para promover políticas sociais e públicas apropriadas e
conectadas entre as diversas áreas de atuação do governo nas várias esferas decisórias.
Neste sentido, deve-se observar que a interiorização da violência vem
conjuntamente com déficit de segurança na fronteira do interior do país, que serve de
corredor para o narcotráfico, contrabando e armas, e apresenta-se como fator influente
do fortalecimento de redes mafiosas, que em conjunto com gestores públicos corruptos
cooptam um exército de infanto-juvenis e demais categorias vulneráveis para a
marginalidade e ainda mais exclusão social nas cidades da fronteira do Iguaçu.
Sabe-se que, os jovens ocupam lugar de destaque no mercado capitalista, por
serem consumidores em potencial, no entanto os índices de desemprego são maiores
entre eles, por sua vez, recebem relevo nos meios de comunicação, notadamente, em
noticiários policiais de forma estereotipada, fatores que contribuem para uma pretensa
condição juvenil.
Para aprofundamento dessa temática é fundamental observar as interlocuções
das dimensões socioeconômicas, culturais e psicobiologias na construção das redes que
fomentem a diminuição da vulnerabilidade e violência relacionada aos infanto-juvenis.
Diante disto, o estudo pretende verificar as motivações que levam os jovens a
violência e criminalidade no Brasil, notadamente na cidade de Cascavel, situada no
Oeste do Paraná, região próxima a fronteira com o Paraguai e Argentina. Além disso,
pretende-se entender a dificuldade de se empreender políticas públicas de enfrentamento
a interiorização da violência e da criminalidade entre os jovens brasileiros na ótica dos
egressos do sistema carcerário em 2011.
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